
Garantir o acesso ao tratamento para AME (Atrofia Muscular Espinhal) continua sendo um dos principais desafios enfrentados por pacientes, familiares e profissionais de saúde. Mesmo com avanços significativos no diagnóstico e na disponibilidade de terapias inovadoras, fatores como distância geográfica, complexidade clínica e limitações logísticas podem comprometer o início do tratamento, especialmente quando existem janelas críticas de tempo.
Recentemente, a Funcional Health Tech conduziu uma operação inédita que possibilitou que uma criança diagnosticada com AME chegasse a um centro especializado e realizasse sua terapia dentro do prazo necessário. O caso reforça a importância de integrar coordenação clínica, gestão operacional e suporte às famílias para transformar a disponibilidade do tratamento em acesso real ao cuidado.
O desafio do acesso ao tratamento para AME no Brasil
A Atrofia Muscular Espinhal é uma doença genética rara que afeta a capacidade dos neurônios motores de controlar os movimentos musculares. Segundo dados do Ministério da Saúde, a condição já soma mais de 1.500 casos registrados no país.
Embora existam terapias capazes de mudar significativamente o prognóstico dos pacientes, o sucesso do tratamento depende de fatores que vão além da aprovação ou disponibilização do medicamento.
Entre os principais desafios estão:
- Distância entre o paciente e os centros especializados;
- Necessidade de transporte adaptado;
- Complexidade clínica dos casos;
- Dependência de suporte respiratório;
- Cumprimento de janelas terapêuticas restritas;
- Coordenação entre diferentes profissionais e instituições.
Em doenças raras como a AME, cada etapa da jornada pode impactar diretamente os resultados clínicos.
Quando a logística também faz parte do cuidado
A operação realizada pela Funcional teve como foco uma paciente pediátrica residente em uma área rural do Espírito Santo.
Devido à gravidade do quadro clínico, a criança dependia de suporte respiratório contínuo e não podia ser transportada por meios convencionais. Além disso, havia uma janela restrita para a realização da terapia, disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Nesse contexto, garantir o deslocamento da paciente tornou-se tão importante quanto o próprio tratamento.
Foi necessário estruturar uma operação integrada envolvendo:
- Avaliação clínica especializada;
- Alinhamento entre equipes médicas;
- Coordenação com familiares;
- Articulação com parceiros especializados;
- Transporte terrestre em UTI móvel;
- Transporte aéreo em UTI aérea;
- Monitoramento de todas as etapas da jornada.
Todo o processo foi concluído em apenas nove dias úteis, prazo significativamente inferior ao normalmente observado em operações dessa complexidade.
Como resultado, a paciente chegou ao centro de referência dentro do período previsto para realização da terapia e concluiu o tratamento com sucesso.
Como os Programas de Suporte ao Paciente ampliam o acesso ao cuidado
O caso demonstra uma evolução importante no papel dos Programas de Suporte ao Paciente (PSP).
Tradicionalmente, esses programas atuam no apoio ao acesso, orientação e adesão ao tratamento. Porém, em condições raras e de alta complexidade, o suporte precisa ser ainda mais abrangente.
Isso inclui:
Coordenação clínica
Integração entre profissionais de saúde envolvidos no acompanhamento do paciente.
Gestão operacional
Planejamento e execução de processos logísticos complexos para garantir que o tratamento aconteça no tempo adequado.
Apoio às famílias
Orientação e acompanhamento durante toda a jornada, reduzindo inseguranças e facilitando a tomada de decisão.
Remoção de barreiras de acesso
Identificação e solução de obstáculos que possam atrasar ou impedir o início da terapia.
Essa abordagem contribui para que o paciente tenha condições reais de acessar o cuidado prescrito, especialmente em situações de alta complexidade.
O papel da integração na jornada de pacientes com doenças raras
As doenças raras exigem um olhar diferenciado sobre a jornada do paciente.
Muitas vezes, o tratamento já está disponível, mas dificuldades operacionais podem representar barreiras tão relevantes quanto os próprios desafios clínicos.
Por isso, modelos que integram:
- Inteligência de dados;
- Navegação do paciente;
- Coordenação assistencial;
- Gestão logística;
- Relacionamento com famílias;
- Acompanhamento da adesão;
tornam-se fundamentais para garantir melhores desfechos em saúde.
Segundo Oscar Basto, Diretor de Negócios Pharma da Funcional Health Tech:
“Esse modelo amplia o papel dos Programas de Suporte ao Paciente ao integrar coordenação clínica, gestão operacional e apoio às famílias. Em casos como este, o sucesso depende de uma engrenagem multissetorial, onde a Funcional atua para que o esforço do ecossistema se converta em acesso real e no tempo certo. Nosso objetivo é remover barreiras que possam comprometer a adesão, e quando falamos de doenças raras, cada dia faz diferença.”
O futuro do acesso ao tratamento em terapias de alta complexidade
A experiência reforça uma tendência crescente no setor de saúde: o sucesso terapêutico depende cada vez mais da capacidade de conectar todos os agentes da jornada do paciente.
Em terapias de alta complexidade, especialmente para doenças raras, o cuidado vai além do tratamento em si. Ele envolve planejamento, coordenação e ações capazes de garantir que o paciente chegue ao local certo, no momento certo e nas condições adequadas para receber a terapia.
Ao ampliar sua atuação em modelos integrados de suporte, a Funcional Health Tech fortalece seu compromisso com a remoção de barreiras de acesso e com a construção de jornadas de cuidado cada vez mais eficientes, humanas e centradas nas necessidades dos pacientes.