Você já percebeu como mudanças no clima parecem afetar diretamente a forma como a gente respira? Não é impressão. O impacto dos fatores climáticos na asma tem se tornado cada vez mais evidente, especialmente em períodos de estiagem, aumento da poluição e piora na qualidade do ar. Quando o ambiente muda, as vias respiratórias sentem. E, para quem convive com asma, essa relação pode significar o aumento das crises.
Mas como medir o impacto dos fatores climáticos na asma de forma concreta? É aí que os dados entram na conversa. Uma pesquisa recente da indústria farmacêutica Chiesi, parceira da Funcional Health Tech desde 2019, analisou o consumo de medicamentos utilizados em casos agudos de doenças respiratórias e identificou um aumento relevante em determinados períodos e regiões do país. Ou seja, não estamos falando apenas de percepção clínica, mas de evidências baseadas em dados reais de dispensação.
Ao longo deste artigo, vamos analisar o que esses números revelam sobre o comportamento das crises respiratórias, como o clima influencia diretamente esse cenário e por que o monitoramento do consumo de medicamentos pode funcionar como um termômetro da saúde populacional. Afinal, quando a qualidade do ar piora, o que os dados mostram sobre a resposta do organismo, e do sistema de saúde?
Mapa de conteúdo
- Como fatores climáticos influenciam crises de asma
- Dados da pesquisa da Chiesi revelam aumento de casos agudos
- Qualidade do ar e demanda por tratamento respiratório
- O que os dados de consumo de medicamentos revelam sobre saúde populacional
- Medidas de proteção em períodos de piora da qualidade do ar
- Quando procurar atendimento médico
- FAQ – Impacto dos fatores climáticos sobre a asma
- Conclusão
Cinco principais aprendizados
- O impacto dos fatores climáticos na asma é mensurável e pode ser identificado por meio de dados reais de consumo de medicamentos.
- Partículas inaláveis, poluição atmosférica e mudanças climáticas funcionam como gatilhos para crises em pessoas já diagnosticadas com asma.
- O aumento na dispensação de medicação de resgate pode indicar picos de exacerbação respiratória em determinadas regiões e períodos.
- A piora da qualidade do ar pressiona sistemas de saúde, elevando a procura por consultas, atendimentos de urgência e tratamento respiratório.
- Monitorar dados farmacêuticos permite transformar comportamento terapêutico em inteligência em saúde, apoiando decisões baseadas em evidência.
Como fatores climáticos influenciam crises de asma
O que exatamente acontece no corpo quando a qualidade do ar piora? Por que um período de poluição mais intensa ou de ar mais seco pode desencadear uma crise respiratória quase de forma imediata?
A resposta sobre o impacto dos fatores climáticos na asma está na forma como nossas vias aéreas reagem ao ambiente. Partículas inaláveis muito pequenas, como as chamadas PM2.5, conseguem penetrar profundamente nos pulmões. Quando isso acontece, o organismo aciona um mecanismo de defesa. O problema é que, em pessoas com asma, essa resposta costuma ser desproporcional.
Essas partículas estimulam a inflamação brônquica. Em termos simples, os brônquios, que são os “tubos” por onde o ar passa, ficam inflamados e inchados. Além disso, ocorre um fenômeno chamado hiperresponsividade das vias aéreas. Isso significa que os brônquios passam a reagir de forma exagerada a estímulos que, em condições normais, não causariam tanto impacto. Resultado? Contração da musculatura brônquica, produção de muco e dificuldade para respirar.
Não por acaso, a relação entre poluição atmosférica e exacerbação da asma já é amplamente reconhecida por entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde. Ambos destacam que a exposição a poluentes atmosféricos aumenta o risco de crises, internações e agravamento de doenças respiratórias crônicas.
Portanto, quando falamos sobre o impacto dos fatores climáticos na asma, estamos falando de um processo fisiológico bem documentado. O ambiente muda, a qualidade do ar se altera e o sistema respiratório responde — especialmente em quem já convive com uma condição inflamatória crônica.
Dados da pesquisa da Chiesi revelam aumento de casos agudos
Mas será que o impacto dos fatores climáticos na asma aparece nos números? Ou fica restrita ao campo teórico?
A pesquisa conduzida pela indústria farmacêutica Chiesi em parcaria com a Funcional Heath Tech traz evidências concretas. Ao analisar dados de consumo de medicamentos voltados para casos agudos de doenças respiratórias, especialmente asma, a empresa identificou um aumento expressivo durante agosto e na primeira semana de setembro de 2024. Esse foi justamente o período em que regiões do Sudeste e Centro-Oeste enfrentaram estiagem prolongada e piora significativa da qualidade do ar.
Os dados chamam atenção, principalmente, para macrorregiões do interior paulista, como São José do Rio Preto e Ribeirão Preto. Nessas localidades, o crescimento na utilização de medicações para crises agudas foi particularmente relevante. E aqui surge uma pergunta importante: coincidência ou correlação?
Quando cruzamos o período analisado com a deterioração das condições ambientais, o que se observa é uma correlação temporal consistente. Ou seja: o impacto dos fatores climáticos na asma é real. Afinal, à medida que a qualidade do ar piorou, aumentou também a busca por tratamento para crises respiratórias. O consumo de medicamentos, nesse contexto, funciona como um indicador indireto do agravamento clínico da população.
Principais achados da pesquisa sobre o impacto dos fatores climáticos na asma
- Aumento no consumo de medicamentos para crises agudas
- Maior impacto nas macrorregiões do interior paulista
- Correlação temporal com piora da qualidade do ar
Esses achados reforçam algo fundamental: o impacto dos fatores climáticos na asma é um fenômeno que pode ser identificado por meio de dados reais de utilização terapêutica. Quando os registros de dispensação sobem em um período específico, isso revela um comportamento coletivo de saúde que merece atenção.
Qualidade do ar e demanda por tratamento respiratório
Se os dados mostram o impacto dos fatores climáticos na asma e o consequente aumento no consumo de medicamentos, a pergunta seguinte é inevitável: o que acontece no sistema de saúde quando a qualidade do ar se deteriora de forma mais ampla?
Como vimos, a relação entre poluição, estiagem e partículas finas como as PM2.5 não se limita a episódios isolados. Essas partículas microscópicas permanecem suspensas no ar, são facilmente inaladas e atingem as regiões mais profundas dos pulmões. Em períodos de ar seco, a dispersão desses poluentes pode se intensificar, prolongando a exposição da população.
É nesse ponto que entra o conceito de carga ambiental. Em termos simples, trata-se do conjunto de fatores externos que exercem pressão contínua sobre o organismo. Quando essa carga aumenta, especialmente para pessoas com doenças respiratórias crônicas, o equilíbrio se rompe com mais facilidade. O resultado pode ser o aumento da frequência e da intensidade das crises.
E o impacto dos fatores climáticos na asma não é apenas individual. À medida que a exposição ambiental cresce, cresce também a demanda por consultas, atendimentos de urgência e uso de medicação de resgate. Sistemas de saúde passam a absorver esse aumento, registrando picos de procura por tratamento respiratório. Em outras palavras, a qualidade do ar se reflete diretamente na dinâmica assistencial.
Por isso, analisar o impacto dos fatores climáticos é também sobre entender como variações ambientais influenciam o comportamento de busca por cuidado, a pressão sobre serviços de saúde e o padrão de consumo terapêutico ao longo do tempo. Quando observamos esses movimentos de forma integrada, o cenário deixa de ser episódico e passa a revelar uma tendência estrutural.
O que os dados de consumo de medicamentos revelam sobre saúde populacional
Como saber se estamos diante de um fenômeno isolado ou de um movimento coletivo mais amplo no que diz respeito ao impacto dos fatores climáticos na asma? Dá para medir isso de forma objetiva? Dá, sim. E a resposta está nos dados de consumo de medicamentos.
Toda vez que uma medicação para crise aguda é dispensada, existe uma história clínica por trás. Agora imagine milhares desses registros sendo analisados em conjunto. O que eles mostram? Mostram comportamento, tendência. Evidenciam quando algo está acontecendo de forma sincronizada em uma determinada região.
É justamente assim que os dados ajudam a identificar tendências epidemiológicas. Isso porque, quando há um pico no uso de medicação de resgate em um período específico, pode ser um sinal claro de que o impacto dos fatores climáticos na asma está se intensificando naquele contexto.
E tem mais: o monitoramento desses picos permite acompanhar variações ao longo do tempo. Uma região apresenta aumento agora. Outra, semanas depois. O que mudou no ambiente? A qualidade do ar piorou? A estiagem se prolongou? Essas perguntas começam a ganhar resposta quando os números são analisados com método.
É aqui que a inteligência em saúde baseada em dados reais faz diferença. Com eles, dá para observar o comportamento terapêutico quase em tempo real. E isso amplia a capacidade de compreender como fatores ambientais estão influenciando a saúde da população.
Os dados não falam sozinhos. Mas, quando interpretados corretamente, ajudam a transformar registros de dispensação em um retrato dinâmico do impacto dos fatores climáticos na asma, e na saúde coletiva como um todo.
Medidas de proteção em períodos de piora da qualidade do ar
Se a qualidade do ar piora, o que fazer na prática? Dá para reduzir o risco de crise respiratória no dia a dia?
O Ministério da Saúde orienta que, em períodos de poluição elevada e ar seco, algumas medidas simples ajudam a diminuir a exposição a partículas nocivas. E elas se tornam ainda mais importantes quando falamos de pessoas com asma, DPOC e outras doenças respiratórias crônicas, que já possuem vias aéreas mais sensíveis.
Segundo o próprio Ministério, a inalação de fumaça e material particulado pode agravar sintomas como falta de ar, chiado no peito e tosse persistente. Por isso, a recomendação é reduzir ao máximo o contato com o ar poluído.
Veja as principais orientações:
- Manter janelas e portas fechadas para evitar a entrada de fumaça e fuligem
- Utilizar purificadores ou umidificadores de ar, quando disponíveis
- Aumentar a ingestão de líquidos para manter a hidratação das vias respiratórias
- Evitar atividades físicas ao ar livre, especialmente em horários de maior concentração de poluentes
- Manter distância de áreas com fumaça intensa
- Usar máscaras do tipo N95 ou PFF2 ao sair de casa
- Monitorar a qualidade do ar por meio de aplicativos ou sites oficiais
- Procurar atendimento médico diante de sintomas como falta de ar, tontura, náusea ou confusão mental
Percebe como muitas dessas medidas são comportamentais e acessíveis? Pequenos ajustes na rotina podem reduzir a exposição às partículas finas que agravam a inflamação das vias aéreas.
Essas recomendações são especialmente relevantes para quem já convive com uma doença respiratória. Em um contexto em que o impacto dos fatores climáticos na asma se torna cada vez mais evidente, prevenir a exposição é uma forma concreta de reduzir o risco de exacerbações e a necessidade de medicação de resgate.
Quando procurar atendimento médico
Você sente falta de ar, usa a bombinha e melhora. Mas… e quando não melhora?
Segundo a página Saúde de A a Z, do Ministério da Saúde a asma, como uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns no Brasil, tem como principais sintomas dificuldade para respirar, chiado no peito, aperto torácico e respiração curta e rápida. Esses sintomas costumam piorar à noite, nas primeiras horas da manhã ou após exposição à poluição ambiental e a mudanças climáticas, o que reforça a relação com o impacto dos fatores climáticos na asma.
Mas existe um ponto de virada. Quando a falta de ar persiste mesmo após o uso da medicação de alívio rápido, isso já é um sinal de alerta. O mesmo vale para o uso frequente do broncodilatador ao longo do dia. Se a bombinha que antes resolvia passa a ser necessária várias vezes, é possível que a inflamação das vias aéreas esteja ativa e fora de controle.
O Ministério da Saúde orienta que, diante de agravamento dos sintomas, o paciente deve procurar um médico para avaliação e ajuste do tratamento. E há sinais que exigem atenção imediata:
- Falta de ar intensa ou persistente
- Dificuldade para falar frases completas
- Respiração muito rápida
- Sensação de aperto no peito que não melhora
- Sintomas associados como ansiedade intensa, tontura ou confusão
Embora a asma possa ser controlada com tratamento adequado, crises graves podem evoluir para hospitalização se não forem tratadas corretamente. Em casos extremos e raros, a asma pode levar à morte, especialmente quando há outras complicações clínicas associadas.
Por isso, reconhecer a diferença entre uma piora leve e um quadro descompensado faz parte do autocuidado. Em um cenário de impacto dos fatores climáticos na asma, monitorar sintomas e agir precocemente é o que reduz o risco de complicações mais sérias.
FAQ – Impacto dos fatores climáticos na asma
Fatores climáticos podem causar asma?
Não causam diretamente. A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, com influência genética e ambiental, conforme explica o Ministério da Saúde. No entanto, fatores climáticos como poluição, variações bruscas de temperatura, ar seco e exposição a alérgenos podem desencadear crises em pessoas que já têm o diagnóstico.
Ou seja, o clima não “cria” a doença, mas pode funcionar como gatilho. É exatamente por isso que o impacto dos fatores climáticos na asma costuma se manifestar como aumento de exacerbações, e não como surgimento repentino de novos casos isolados.
Qual é o real impacto dos fatores climáticos na asma?
A relação é fisiológica e bem documentada. Partículas inaláveis presentes na poluição, especialmente as mais finas, conseguem penetrar profundamente nos pulmões. Isso estimula inflamação brônquica e aumenta a hiperresponsividade das vias aéreas — características centrais da asma.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que a exposição à poluição atmosférica está associada ao agravamento de doenças respiratórias crônicas e ao aumento de hospitalizações. Em termos práticos, quando a qualidade do ar piora, cresce também o risco de crises asmáticas.
O consumo de medicamentos pode indicar aumento de casos?
Pode, sim. E esse é um ponto estratégico. O monitoramento do consumo de medicamentos para casos agudos permite identificar picos de exacerbação em determinadas regiões e períodos. Quando há aumento consistente na dispensação de medicação de resgate, isso pode refletir agravamento coletivo do quadro respiratório.
Foi justamente esse tipo de análise que revelou, por exemplo, crescimento no uso de medicamentos durante períodos de piora ambiental. Assim, os dados farmacêuticos funcionam como um termômetro da saúde populacional e ajudam a compreender, na prática, o impacto dos fatores climáticos na asma.
Conclusão
Como se vê, o impacto dos fatores climáticos na asma é mensurável. Aparece nos sintomas e na procura por atendimento. Principalmente, aparece nos dados de consumo de medicamentos.
Quando analisamos esses registros de forma estruturada, conseguimos enxergar movimentos coletivos de saúde quase em tempo real. Um aumento na dispensação de medicação de resgate não é um dado isolado — é um sinal. E sinais, quando interpretados corretamente, ajudam a antecipar tendências e compreender como o ambiente está influenciando a população.
Isso também reforça outro ponto importante: prevenção e acompanhamento contínuo fazem diferença. A asma pode ser controlada, como destaca o Ministério da Saúde, especialmente quando há adesão ao tratamento, identificação precoce de sintomas e redução da exposição a fatores desencadeantes. Em períodos de piora da qualidade do ar, esse cuidado se torna ainda mais relevante.
No fim, o que os números revelam é que clima e saúde caminham juntos. E entender essa relação exige mais do que observação pontual. Exige inteligência baseada em dados reais.
É justamente nesse ponto que a Funcional atua. Ao transformar informações de consumo terapêutico em conhecimento estruturado, amplia-se a capacidade de compreender padrões, identificar picos de exacerbação e apoiar decisões fundamentadas. Porque, quando falamos em saúde populacional, dados bem analisados ajudam a entender o que está acontecendo agora.
Martha Marques Nogueira é jornalista e criadora de conteúdo há 20 anos. Para a Funcional, escreve sobre benefícios corporativos, saúde e bem-estar.

Como fatores climáticos influenciam crises de asma